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O Oráculo Sagrado dos Orixás enfrenta hoje em dia a perda do seu secretismo, a sua mistica religiosa que não deveria ser profanada.
Nos dias que correm, devido também á realidade interativa e ás facilidades de comunicação que não se tinha antes, as pessoas no geral tendem a entender o jogo de búzios como se de um qualquer oráculo se tratasse e o colocam ao nivel dos taros, baralhos ciganos, runas, e outros jogos divinatórios.

Acontece que antigamente quem fosse á procura de respostas para a sua vida no jogo de búzios, sabia que tinha de ir falar com Pai ou Mãe de Santo. Hoje é fácil encontrar pela internet livros virtuais e cursos de búzios. Já tem até cursos presenciais…

Mas o jogo de búzios é muito mais que um simples taro, é um Oráculo Sagrado que não deveria ser corrompido, e vemos nos dias de hoje que qualquer um que tire um destes tais cursos já abre jogo e se poe a jogar.

Deixamos aqui esta questão levantada pedindo a opnião em especial dos Babalawo e Babalorisá/Yalorisá

 

O Opelé e os Búzios não são jogo de Casino

Texto de Manuela

https://ocandomble.com/2009/01/22/o-opele-e-os-buzios-nao-sao-jogo-de-casino/

 

“Conseguir informação de Orunmilá sobre a vida de alguém, é importante demais para ser deixado a um simples deitar do Opelé, 16 búzios, cartas de tarot ou qualquer que seja o sistema de adivinhação utilizado. De acordo com o pensamento tradicional, qualquer pessoa com um Opelé e um livro dos Odús pode andar por aí a fazer adivinhações em nome de Orunmilá. Mas estar equipado com estes instrumentos, não quer dizer que a pessoa esteja em contacto com Orunmilá. E mais importante ainda, embora existam 256 Odús, é impossível para eles, ver com precisão todas as potencialidades da experiência de vida como as infinitas direcções possíveis no caminho espiritual da pessoa. Os Odús podem confundir-nos com alguma facilidade. Nunca é demais salientar que devemos discernir sempre muito bem no que toca à forma como adquirimos informação quanto aos caminhos das nossas vidas. Todo o processo de adivinhação se tornou tão compartimentado, que nos faz pensar como chegou o Ifá ao seu estado actual.

Parte do problema reside no facto de que nem todas as pessoas têm a capacidade de entrar em diálogo com Orunmilá. Uma pessoa de tal integridade, espiritualidade e talento é verdadeiramente um achado nos nossos dias. A certeza deste tipo de adivinho está para além de qualquer questão, mas as pessoas, sendo quem são, tiveram que desenvolver uma técnica ou processo para compensar a falta de preparação daqueles que queiram ser adivinhos sem ter que passar por processos e requisitos rigorosos. Embora todos possamos falar com Orunmilá, os restantes Orixás e os ancestrais, ninguém está verdadeiramente disposto a submeter-se ao esforço para desenvolver o carácter ao ponto de tornar realmente atingível essa comunicação.

Outro cenário é quando o adivinho se encontra numa situação de alguma dificuldade que causa a quebra da sua integridade. Rendas em atraso e a conta do banco em baixo. Logo na próxima leitura o cliente é informado de que alguns Orixás estão descontentes e o cliente precisa então fazer um Ebó para cada um deles. Isto custará uma quantia razoável em Euros. Mas Orunmilá provavelmente nunca disse nada disto. A integridade do adivinho passa a estar em questão, não só porque enganou um cliente, como também utilizou erradamente o nome de Orunmilá para o fazer. A partir daí a ligação espiritual perdeu-se e o adivinho passa a trabalhar às cegas espiritualmente. O adivinho nunca admitirá o seu erro, portanto ele/ela agrava o problema ao continuar a fazer leituras para outros clientes sem o contacto com Orunmilá. O adivinho está neste ponto tão longe do caminho verdadeiro que necessitará apelar para Exú, Oge e Orunmilá se quiser alguma vez voltar ao caminho certo. Mas memorizando os Odús e reconhecendo as caídas pode ajudar a manter a charada até que o adivinho decida limpar o seu acto, se isso alguma vez chegar a acontecer.

Para compensar por estes problemas, e quem sabe quantos mais, os Odús estão desenhados de forma a que, pessoas que antes não os poderiam ler ou saber o possam fazer agora. Não só isso, os Odús darão às pessoas uma análise rápida e uma solução para qualquer problema que possa surgir na vida. Os Odús são a solução de alguém para o marketing em massa que se vai fazendo sobre a adivinhação, como se de um franchise se tratasse. Infelizmente, Orunmilá não está no negócio para resolver problemas triviais, pedir ebós em nome dos Orixás, dizer às pessoas para pagarem fortunas por iniciações, ou qualquer coisa que requeira a transferência de riqueza do cliente para o adivinho. O “trabalho” de Orunmilá é o de dar instruções às pessoas para as suas vidas e caminhos espirituais.

Faria sentido se o adivinho estivesse numa situação de bom e real contacto com Orunmilá, que então Orunmilá o protegesse daqueles que o tentam testar sobre a sua honestidade e capacidade, para o desacreditar. As pessoas estão tão preocupadas em defender a sua fatia do “bolo” da adivinhação que provavelmente confrontariam o próprio Orunmilá se ele lhes surgisse à porta para os fazer parar com a farsa. Consequentemente, não deveria se uma surpresa quando as pessoas pedem uma leitura e Orunmilá lhes diz para parar com a mentira. Portanto, até que Orunmilá apareça, ou seja tomada a escolha de parar, estes pseudo adivinhos continuarão a utilizar o Opelé ou os Búzios, como dados num jogo de casino, até que lhes seja posto fim. Entretanto, os pseudo adivinhos fariam bem em não continuar a utilizar o engano e a mentira e a pedir leituras a Orunmilá.”

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O vereador Dr. Edison da Creatinina homenageou na noite de terça-feira, 15 de maio, duas grandes personalidades na difusão e promoção da cultura afro-brasileira no Rio de Janeiro: o professor, sacerdote, sociólogo e escritor Gumercindo Fernandes Portugal Filho, pesquisador conceituado da temática africana, com oito livros publicados, e o professor, escritor, pesquisador e historiador José Beniste, autor de três livros, dentre eles o Dicionário de Yorubá, e que receberam a maior honraria da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, a Medalha de Mérito Pedro Ernesto.
O vereador entregou, ainda, aos zeladores de santo, responsáveis pela administração física e espiritual dos terreiros, presentes, moções de congratulação da Câmara Municipal em reconhecimento pelos trabalhos realizados em benefício da cultura afro e pela luta contra a segregação religiosa e o preconceito.

“As religiões de matriz africana cultuam orixás, os verdadeiros representantes da natureza, e têm consonância com a proposta de meu partido na luta pela ecologia e pela preservação do meio ambiente. Precisamos ter a mente aberta no esforço supremo de vencer os preconceitos e abraçar as minorias para que sejam integradas à realidade cultural da cidade, que é uma face histórica de nossas origens. Já fizemos bastante mas não o suficiente”, afirma o vereador Dr. Edison da Creatinina.

Depois da cerimônia, na Sala Inglesa uma baiana serviu acarajé e abará, comidas de santo, aos homenageados, às 38 pessoas representantes de terreiros de candomblé, umbanda e lideranças da cultura negra que receberam moções de congratulações pela defesa e preservação da cultura e das religiões de matriz africana.

Fernandes Portugal, em seu discurso de agradecimento, lembrou a música de Nelson Cavaquinho que diz: “se alguém quiser fazer por mim, que o faça agora”. E salientou que ensina aos seus alunos na UERJ que a luta abolicionista ainda é presente e que todos devem aprender com os sábios da tradição das religiões africanas.

José Beniste, autor de um dicionário de Yorubá, por sua vez, afirmou que recebia a medalha de uma pessoa que tem as mãos limpas e que todos deveriam reconhecer que não era a primeira vez que o vereador Dr. Edison da Creatinina valoriza a cultura negra. Ele salientou ainda que todos os praticantes das religiões de matrizes africanas, independentemente da nação, são irmãos.

No encerramento, Pai Zezito de Oxum foi o primeiro a entoar um canto de agradecimento pela homenagem e, em seguida, vários outros sacerdotes e sacerdotisas de umbanda e candomblé o sucederam ao microfone do plenário.

VIDEO


Caracteristicas dos Orixás – Exu / Pombagira

(por Paulo Lourenço “Ramiro de Kali”)


Religiões Afro.Brasileiras

(Texto extraido da Revista “MUNDO e MISSÃO”, e escrito por Giorgio Paleari)

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